Quando Vidas Pessoais Não Ficam em Casa

Por Paige Jordan, MyEVT

Um dia desses tivemos um incidente durante tratamentos matinais que perturbou profundamente a moral da nossa equipe veterinária. Um de nossos auxiliares técnicos, que vou me referir por John, estava retirando um gato de sua caixa de transporte quando o gato se tornou extremamente rebelde. Isso não era um evento inesperado, já que o gato mostrava sinais de agressão previamente e John estava preparado com luvas de couro. No entanto, o comportamento do gato evoluiu ao ponto de quicar das paredes como uma bola furiosa de dentes e unhas. O comportamento de John evoluiu também e ele acabou golpeando a cabeça do gato contra a porta da gaiola, ao removê-lo forçadamente, e o jogou contra a mesa de consulta, para o horror de todos que assistiam.

A reação de John era inaceitável e precisava ser abordada imediatamente, por diversas razões. A mais óbvia, abuso animal de qualquer tipo, independente das circunstâncias, vai diretamente de encontro aos muitos objetivos e valores da nossa profissão, com tolerância zero. Por ser uma clínica que trabalha com muitos grupos de gatos ferais, lidar com gatos rebeldes não era novidade para John. Ele tinha se mostrado crescentemente rabugento ao longo dos dias antes desse incidente, e sua reação à situação foi muito atípica.

Então o que causou ele a surtar? O quão provável é que ele responda de maneira igual no futuro? Podemos continuar confiando nele o cuidado de nossos pacientes hospitalizados? Estas perguntas começaram a circular entre a equipe após o incidente e todos permaneceram no limite pelo resto do dia. Embora John tivesse sido removido da situação até se acalmar, havia obviamente um problema mais profundo que precisava ser abordado.

É aqui onde a separação entre vida profissional e pessoal pode se tornar complicada. Era óbvio para mim que havia algo importante acontecendo na vida pessoal de John que estava invadindo sua vida profissional. Seus problemas pessoais estavam afetando negativamente tanto a equipe como os pacientes. Entretanto, questões de privacidade tornaram difícil alcançar a raíz do problema.

Eu estava genuinamente preocupado com o bem-estar mental de John, mas não queria extrapolar o papel profissional e assim me conduzi. Tudo o que eu poderia fazer era deixar minha preocupação clara e deixá-lo saber que se havia algo que podíamos fazer para ajudá-lo neste período, que nos avisasse. Isso foi após a conversa no dia em que seu comportamento foi inaceitável, e independente do que tenha desencadeado suas ações, ele precisava encontrar uma maneira de se controlar em suas interações com colegas e pacientes.

São situações como esta que tornam o trabalho em um negócio pequeno uma faca de dois gumes. De um lado, há um clima familiar onde um pequeno grupo de pessoas trabalhando com proximidade forma um elo profundo através do bom e do ruim. No outro, pode ser mais difícil separar a vida profissional da pessoal, havendo maior envolvimento emocional. Em uma empresa maior, o gerenciamento é geralmente mais distante, e há frequentemente recursos locais como aconselhamento e serviços de bem-estar onde funcionários podem ser direcionados.

Como deveria a profissão veterinária lidar com situações assim? Eu gostaria de acreditar que há uma abordagem mais holística para corrigir ações sem direcionamento, que atinge a raíz dos problemas e ajuda a criar indivíduos mais inteligentes emocionalmente e equilibrados. Da mesma forma que a medicina tende a ser reativa, o gerenciamento de pessoal também tende a ser mais reativo do que proativo. O investimento a longo prazo no bem-estar de indivíduos cria uma equipe mais forte e funcional.

Qual é o meio-termo entre disponibilizar ferramentas para a vida e microgerenciar a vida de funcionários? Há um amplo espectro de tipos de personalidade, e graus variados de abertura para o auto-aperfeiçoamento e bem-estar pessoal. Acredito que podemos começar criando pelo menos uma infra-estrutura para aqueles mais interessados. Ainda permitimos fumantes tirarem uma folga para fumar durante o trabalho – por que não permitir indivíduos estressados tirarem cinco minutos para saírem da clínica, respirarem e refocarem? Por que não tornar dias “pessoais” um benefício padrão além de dias de atestado médico?

Se você trabalha uma clínica que promove bem-estar pessoal como estratégia para um negócio mais produtivo e de sucesso, por favor compartilhe!

Traduzido e adaptado de My Exceptional Veterinary Team.

E você, como lida com a qualidade de vida na clínica?

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