BurnOut: Causas e Soluções, Parte 1

Por Katherine Dobbs

Alguns artigos atrás, mencionei um fenômeno que muitos de nós conhecem, seja de um colega ou por ter experimentado por conta própria: BurnOut.

Eu chamaria carinhosamente de “BO” para abreviar, além do fato de realmente feder! (N.T. “BO” é também abreviação coloquial de Body Odour, ou “odor corporal”)

Vamos primeiro ver algumas definições de BO, e ver como se relaciona com o trabalho que fazemos.

Burnout é um termo de psicologia para a experiência de exaustão prolongada e interesse diminuído, especialmente na carreira de um indivíduo. – Patricia Smith

Burnout é o resultado da frustração, impotência e inabilidade de alcançar metas profissionais. – Charles R. Figley

Mesmo que você não tenha o palavreado certo, tenho certeza que você poderia ter adivinhado o jargão básico em tais definições, especialmente se você já se sentiu assim antes. Uma vez quando ministrei uma palestra em Fadiga de Compaixão (similar, mas diferente do BO), perguntei à platéia o que eles pensavam que havia de diferente entre os dois. Uma pessoa disse, “BurnOut é algo que você não consegue fazer nada a respeito.” Imagino que muitos de nós se sentem assim, e infelizmente o BO leva algumas pessoas a ficarem longe da profissão de veterinário quando isso acontece. Mas vamos analisar mais de perto o Burnout e ver o que podemos fazer sobre ele! Ao longo da próxima série de artigos, pegarei cada “causa” de BurnOut identificada por Robert G. Roop, Ph.D. e Charles R. Figley, Ph.D. Quando mais soubermos, mais podemos prevenir, nos preparar ou prevalecer sobre o BurnOut em nossas carreiras profissionais.

Causa nº1: Conflitos entre valores individuais e objetivos e exigências organizacionais.

(Parte 1 de 4)

Fico na verdade feliz por isso ser listado como primeira causa, porque não apenas acredito que é um dos maiores componentes do BO, mas também é uma causa que podemos trabalhar para prevenir já no começo de nossas carreiras e a cada local de emprego subsequente. Antes você precisa fazer um dever-de-casa, e descobrir quais são os seus valores individuais.  Esses também se desenvolverão com o tempo, e através da exposição à medicina veterinária boa e não-tão-boa. O autor e consultor Jim Wilson, em seu livro envolvendo a ética veterinária, lista diversos problemas que deveríamos examinar para ajudar a determinar nossa ética pessoal dentro da medicina veterinária. Adicionando à lista, eis aqui algumas das idéias de Wilson mais problemas que também encontrei:

Eutanásia por “Conveniência” (ou “Saudável”): dependendo da sua ética pessoal, a definição de “conveniente” pode ser diferente do proprietário da clínica ou de um colega. Isso está se tornando um tópico tão quente em nossa profissão que dificilmente pode ser ignorado, mas quantos de nós perguntam sobre este problema com um potencial empregador? É isso mesmo, nós deveríamos perguntar nosso potencial empregador. Situações desta natureza poderiam envolver eutanásia por problemas comportamentais, para animais idosos mas não inválidos, a necessidade do proprietários de mudar de residência ou reduzir o número de bocas a alimentar em casa, ou indisposição para tratamento de condições de saúde crônicas. Existem circunstâncias onde você se sente tranquilo, e outras que não? Isso pode fazer emergir uma poderosa reação emocional quando seus valores forem feridos.

Qualidade de Cirurgia: este tópico cobriria questões como, usa-se anestesia geral para procedimentos odontológicos, há técnicas de assepsia sendo usadas na inserção de catéteres, os pacotes de instrumentos cirúrgicos estéreis são usados sem serem reutilizados em outros pacientes, e na verdade quais são as técnicas de esterilização?

Nível de Cuidado Médico: este tópico cobriria questões como quão conservativos ou agressivos são os médicos com testes e procedimentos de diagnóstico, qual é o protocolo de vacinação recomendado, e quais são as opções para cuidado crítico ou cirúrgico avançado, se os pacientes hospitalizados em pernoite possuem supervisão, e em que circunstâncias os pacientes são indicados para uma clínica 24 horas quando o prognóstico é considerado reservado o suficiente?

Flexibilidade Financeira: este tópico cobriria quais grupos recebem descontos padrão, como clientes idosos, animais resgatados e de trabalho, qual é a política de pagamento para clientes que não podem arcar com as recomendações, como são cobradas contas muito altas, e se há algum tipo de caridade ou “Fundo Angelical” na clínica para ajudar a pagar o cuidado de pacientes necessitados?

Estes são apenas alguns dos tópicos, e algumas das perguntas que podem formar a base dos seus valores pessoais dentro da medicina veterinária. Se você nunca separou um tempo para pensar sobre seus valores, agora é a hora…antes que você seja contratado por uma clínica em que você se encontre ou comprometendo seus valores ou pedindo demissão no primeiro ou segundo mês após perceber que não é um encaixe ético bom para você.

No outro lado dessa equação estão as exigências e objetivos organizacionais da clínica. A única maneira de descobrir quais são esses é perguntando, preferencialmente antes de aceitar um emprego! Para revelar os objetivos de uma clínica, pergunte sobre a missão da empresa, visão para o futuro ou objetivos da clínica. Se não existirem nenhum desses, então fixe nessas perguntas para o entrevistador e descubra mais sobre para onde a clínica está indo. Você quer se certificar e pegar carona em uma clínica que está indo na mesma direção que você! Em outras palavras, se você é um técnico de mente progressiva que quer ver os protocolos mais atualizados e revolucionários, então você terá que aceitar um emprego onde isso também é importante para o(s) proprietário(s) da clínica.

No que tange à exigências organizacionais, isso significaria que exigências postas em você para o cargo. Pergunte sobre a descrição do cargo que você está cogitando. As clínicas mais bem gerenciadas já terão incorporado este passo no processo de entrevistas, mas caso negativo, você deve tomar a iniciativa. Leia atentamente a descrição do cargo, talvez antes da entrevista “cara a cara” ou após a entrevista, mas antes de aceitar o cargo. Pense o tempo que for preciso sobre essa descrição, e certifique-se que consegue imaginar a si mesmo fazendo estas tarefas diariamente. Anote quaisquer perguntas ou preocupações, e explore-as antes de se juntar ao quadro de funcionários da clínica. Pergunte também sobre a frequência média e quantidade de horas-extras naquele cargo, quantos outros fazem o mesmo trabalho que você ao mesmo tempo e em turnos diferentes (para ajudar a determinar o quanto eles dependerão de você em períodos inesperados de falta de funcionários), a agenda de fim-de-semana e feriados para funcionários e como feriados são distribuídos entre funcionários, a taxa de rotatividade (o que poderia mostrar que a clínica sobrecarrega seus funcionários se eles os demitem com frequência…entretanto, a rotatividade até certo ponto é saudável e oferece novas idéias e energia), quais “projetos” adicionais foram delegados à sua posição no passado, e outras perguntas que você pode pensar dos cargos que você ocupou no passado que eram opressivos…para ajudá-lo a não repetir a mesma situação.

Encontrar o lugar certo para trabalhar é um processo de crescimento. Em outras palavras, ao trabalhar em um local e ver o que você não gosta sobre aquele empregador, você terá mais cuidado antes de aceitar um cargo novo sem checar antes os detalhes. É mais como um processo de eliminação, pois é impossível conhecer todos os seus valores até você ter mais vivência, e é difícil saber que tipo de empregador você quer até ver o quão ruim um deles pode ser (triste, mas verdade). Então faça seu dever-de-casa! Lembre-se, o processo de contratação não é apenas a hora deles de entrevistarem você, mas também uma oportunidade de você entrevistar eles sobre a clínica para ter certeza que se encaixará!

A Srta. Dobbs gostaria de reconhecer o livro de Figley e Roop “Compassion Fatigue in the Animal-Care Community” (A Fadiga de Compaixão na Comunidade de Cuidados Animais, sem tradução para o português) por enumerar a lista de causas de BurnOut. O livro foi publicado pela Humane Society em 2006.

Traduzido e adaptado de My Exceptional Veterinary Team.

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