Gateiros e Médicos Veterinários

Por Carlos Gabriel Dias, CRMV RJ 4897

Falar sobre gateiros, donos de gatos ou o que o valha não é simples,mas antes de conversar sobre gateiros podemos discorrer sobre o que eles são primariamente: seres-humanos.

Durante uma trajetória longa e absolutamente eclética nós, Médicos Veterinários, abraçamos uma trajetória assinalada por disciplinas acerca de animais, apenas animais! Mas, lembrem-se, além de várias espécies animais, temos outras demais disciplinas que alinhavam uma colcha multidisciplinar desta profissão. Cada pequeno retalho representa uma possibilidade de atuação.

Os Médicos Veterinários que abraçam atuar na clínica e cirurgia de pequenos animais (leia-se gatos e cães) aprofundam-se nestas espécies. E, ainda, muitos Médicos Veterinários pontuam-se em uma ou outra destas duas espécies [1]. Preocupar-se com uma espécie que não a sua própria. “Se eu gostasse de gente teria estudado Medicina Humana”, o que seria algo absolutamente lógico atualmente figura como uma fonte de discussões e preocupação entre acadêmicos e formadores de idéias. Quem acompanha o animal nas consultas veterinárias? Quem fornece dados importantes e responsabiliza-se pelo comprimento das recomendações e prescrições?

RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Através das relações interpessoais, os Médicos Veterinários e Responsáveis pelos animais estabelecem uma comunicação para o esclarecimento da queixa, do manejo e tudo o que se refere ao paciente. O animal é o cerne de toda a trajetória dos médicos veterinários, mas todos eles relacionam-se fluentemente com os seres-humanos que acompanham seus pacientes? Já não basta manejar corretamente o animal, fornecer o diagnóstico e prescrever as melhores condutas. Estabelecer um canal claro e forte de troca de informações e questionamentos é fundamental para a fluidez de todo o processo!

Parece inócuo e desnecessário (a maior parte das pessoas não acredita nesta matéria). Contudo, é absolutamente certo que todos os seres-humanos se comunicam com fluidez? Todas as comunicações nas relações humanas são evidentes, fluídas, coerentes e funcionais? No dia-a-dia dos veterinários pontua-se: basta conhecer os sintomas? Sim, já é um grande caminho, mas é possível partir da queixa principal, passando pela anamnese e finalizando em uma realização consciente (ou mesmo na própria realização) do tratamento e manejo sugerido? Não há dados concretos, evidências estatísticas, apenas o que observamos no dia-a-dia. Responsáveis insatisfeitos e tratamentos não realizados. A conversa é espinhosa. Basta dar o diagnóstico? Sim, oficialmente, sim. Estabelecer uma boa relação para que todo o processo flua com qualidade já não é exigido, é sugerido. Mas, sugestão é para alguns, não é uma determinação.

O PAPEL DO MÉDICO VETERINÁRIO
Os seres-humanos estão tornando-se diferentes ao passar dos anos. Tornam-se complexos demais para as teorias comportamentais anteriormente formuladas. Novas visões são importantes para novos estilos de vida. Assim, a complexidade das relações humanas invade os consultórios Veterinários. A questão das relações humanas não cabe apenas aos clientes, os responsáveis em descrever o que seus animais sentem, mas aos Médicos Veterinários que deverão ser aptos para estabelecer uma boa comunicação. O talento dos Clínicos transcende a capacidade de interpretação dos sintomas. Boas receitas são negligenciadas por responsáveis não confiantes ou não envolvidos o suficiente. E carinho e atenção costumam ser maquiagem para receitas insuficientes. Nenhuma atuação é melhor do que a outra.

Hoje, o papel do Veterinário é muito mais amplo: ser competente para diagnosticar e competente para ser compreendido. Não há espaço para grossuras, antipatias, soberbas ou autoridade sem justificativa. Toda vez que for conversar com um ser humano acompanhado do seu paciente, lembre-se do principio da ética: não vou fazer o que não gostaria que fizesse comigo. Trocando em miúdos: independente da sua capacidade de ser um produtor de diagnóstico seja gentil para que o seu conhecimento não seja apenas promovido seja também aplicado!

Gateiros apresentam características tais e cachorreiros outras tais, mas todos se comunicam de forma complexa, intrincada, passível de distorções e ma interpretações, mas todos exibem comportamento especifico de uma especie que Médicos Veterinários não toleram ou mesmo não entendem: os seres-humanos.

NOTAS
[1] O Gato Doméstico é referido como espécie nos textos de divulgação, mas é considerado uma subespécie (Felis silvestris catus).

O Dr. Carlos Gabriel Dias é Medico Veterinário e Mestre e Doutor em Ciências Veterinárias, especialista em Medicina de Felinos, e escreve o blog Clínica para Gatos.

 

 

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