5 Sinais Que Sua Clínica Veterinária Está Falindo

Por Lindsay Reese

A receita está subindo. As consultas também. Mas poderia a sua clínica estar falindo? Você reconheceria estes sinais? É possível reverter um declínio?

Jim Collins confronta estas perguntas em seu livro, “Como Os Gigantes Caem” (Ed. Elsevier-Campus). Collins, autor de sucesso dos livros Good to Great – Empresas Feitas Para Vencer (Ed. Campus) e Vencedoras por Opção (Ed. HSM), explora os sinais de aviso que causam empresas a colapsarem. O declínio, ele conta, é muito como uma doença. A parte externa pode parecer forte e saudável, mas um câncer se espalha violentamente no interior.

“É isso que torna o processo de declínio tão assustador”, escreve Collins. “Ele pode o cercar sorrateiramente, e então – aparentemente de forma súbita – você está com um grande problema.”

Para descobrir por que grandes empresas falem, Jim Collins estudou 11 grandes empresas, incluindo o Bank of America, Circuit City, HP, Merck e Motorola. De sua pesquisa, ele identificou 5 estágios de declínio.

Estágio 1: Orgulho Provindo de Sucesso
O primeiro sinal que a sua clínica poderia estar falindo é a negligência arrogante, ou orgulho. Há muitas formas de orgulho: perseguir crescimento além de sua capacidade; decisões atrevidas diante de indícios conflitantes; e negação de que a clínica está correndo riscos.

A subida para a magnitude, diz Jim Collins, envolve um esforço cumulativo e sustentado. Ele compara este esforço a uma “flywheel” gigante (N.T.: peça usada em mecanismos para acumular energia de movimento). Cada esforço ganha força do movimento prévio acumulado, e energia é ganha a cada movimento.

Uma vez que uma empresa crie e mantenha uma flywheel com sucesso, ela pode criar uma segunda, ou terceira. Mas para cada flywheel continuar funcionando, você precisa manter a mesma intensidade de quando começou. É então que as empresas encontram problemas. A atenção fica dividida e terminam por negligenciar a sua flywheel primária.

As empresas no Estágio 1 frequentemente confundem “o que” e “por que”. Falham em distiguir entre tendências atuais e os princípios duradouros do seu sucesso. Focam em práticas e estratégias específicas que funcionaram, mas não as razões fundamentais do sucesso.

“Não há nada errado em aderir a práticas e estratégias específicas, mas apenas se você compreender o “por que” subjacente por trás dessas práticas”, explica Jim Collins.

Para combater este problema, líderes devem continuar sendo estudantes do seu trabalho. Eles devem constantemente perguntar por que, por que, por que.

Clínicas veterinárias lutam consistentemente por crescimento, e como resultado, com frequência geram novas idéias na esperança de resultados positivos. De forma a evitar o Estágio 1 de declínio, é necessário para uma clínica ter uma visão clara e criar uma missão. Desenvolver uma missão declara “quem somos, o que fazemos, e por que estamos aqui”. A visão foca o futuro da organização e “onde estamos indo”. Manter a missão e visão da clínica sempre em mente oferece uma salvaguarda para tomadores de decisão, assim reducindo falhas por orgulho e negligência por arrogância.

Estágio 2: Busca Inconsequente de Mais
Tendemos a concluir que empresas falem por se tornarem acomodadas. Isso não é inteiramente certo. Das 11 empresas que Jim Collins estudou, apenas uma (A&P) mostrou indícios de acomodação. As outras estavam cheias de ambição, criatividade, energia e inovação.

Então como elas caíram? Jim Collins sugere que foram culpadas de exagerar; foram longe demais, assumiram riscos demais, e eram agressivas demais.

Empresas no Estágio 2 de declínio também são obcecadas com crescimento. Líderes dessas empresas enxergam o crescimento como objetivo final, e não o resultado de perseguir o propósito central da empresa. É importante notar que os problemas não resultam do crescimento em si, mas da perseguição inconsequente de crescimento.

“Os maiores líderes de fato buscam crescimento – crescimento em performance, em impacto de diferencial, em criatividade, em pessoas – mas não sucumbem ao crescimento que sabota valor a longo prazo”, diz Collins.

Um dos indicadores mais danosos do declínio de Estágio 2 é o que Jim Collins chama “Lei de Packard”. Batizada a partir de David Packard, co-fundador da HP, a Lei de Packard determina que “nenhuma empresa pode aumentar sua receita, de forma constante, mais rapidamente do que a capacidade de contratar as pessoas certas em número suficiente para implementar esse crescimento e ainda se tornar uma empresa excelente.”

“Se eu fosse escolher um marcador acima de todos os outros para usar como sinal de aviso, seria uma proporção declinante de posições cruciais ocupadas pelas pessoas certas”, enfatiza Collins.

Como líder na sua clínica, isso significa que você deve constantemente perguntar-se: quais são as posições-chave na minha clínica? Que porcentagem dessas posições está preenchida com as pessoas certas?

As pessoas certas enxergam-se tendo “responsabilidades”, enquanto outras enxergam-se tendo “empregos”. Toda pessoa em uma posição-chave precisa estar apta a responder a pergunta “o que você faz?” não com um título de emprego, mas com uma declaração de responsabilidade pessoal”, explica Jim Collins.

Outro indicador de declínio de Estágio 2 é a sucessão problemática de poder. Em outras palavras, um líder não pode sustentar o sucesso se ele não compreender o que fazer e o que não fazer.

“Ao passo que nenhum líder pode construir sozinho uma grande empresa que dure, o líder errado com poder pode praticamente sozinho derrubar a empresa”, escreve Collins.

Líderes de clínica efetivos compreendem que é preciso de uma equipe para fazer as estratégias de visão e crescimento acontecerem, e ainda mais importante, é preciso a equipe certa. Um exemplo do Estágio 2 pode ser visto quando membros da equipe não apoiam ou assimilam a missão e visão da clínica.

Adicionalmente a ter a equipe certa a bordo, líderes de clínica precisam ter a habilidade e compreensão de como liderar efetivamente equipes para a visão.

Métodos para evitar o Estágio 2 incluem:

  1. Estabelecer expectativas claras
  2. Contratar para o cargo
  3. Oferecer desenvolvimento à equipe

Estágio 3: Negação de Risco e Perigo
Uma das características-chave das empresas que entram no Estágio 3 é tomar grandes decisões apesar de evidências em contrário. “O maior perigo não vem de ignorar fatos claros e inegáveis, mas em interpretar erroneamente dados ambíguos em situações em que você encara consequências severas ou catastróficas”, explica Jim Collins.

Grandes empresas fazem grandes apostas. Mas elas evitam decisões que possam causar danos irreparáveis.

Então como fazer uma decisão definitiva? Pergunte 3 coisas:

  1. Qual o lado positivo, se as coisas forem bem?
  2. Qual o lado negativo, se as coisas forem muito mal?
  3. É possível viver com o lado negativo? Verdadeiramente?

Outro comportamento comum do Estágio 3 é culpar outras pessoas ou fatores externos. Jim Collins descobriu externalização de culpa em 7 de 11 casos analisados. Líderes apontam para uma série de fatores, ao invés de encararem a realidade de que a empresa está com um problema.

A reorganização obsessiva também pode indícar declínio de Estágio 3. Embora alguma reorganização seja provável, a reorganização constante deveria ser uma bandeira vermelha. “Empresas estão sempre em processo de reorganização; essa é a natureza da evolução institucional”, ele escreve. “Mas quando você passa a responder aos dados e avisos de perigo tendo reorganização como estratégia primária, você pode estar em negação.”

De modo a evitar cair no Estágio 3, líderes de clínica precisam considerar a incorporação de raciocínio estratégico em seu planejamento. Uma ferramenta útil para esse raciocínio é a análise SWOT. Essa análise avalia as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da clínica, e também oferece oportunidades de responder às três perguntas que Collins recomenda sobre decisões definitivas. A análise SWOT e raciocínio estratégico ajudam a desenvolver sistemas de responsabilidade e identifica de forma mais clara se a reorganização é realmente necessária.

Estágio 4: Desespero pela Salvação
O Estágio 4 de declínio inicia quando a organização reage a uma crise procurando por uma “fórmula mágica”. Isso pode acontecer de várias maneiras: apostando alto em uma tecnologia incerta, dependendo do sucesso de um novo produto, ou apostando em uma nova imagem. Essas empresas buscam uma solução rápida ao invés de investir na reconstrução.

“Empresas no Estágio 4 experimentam novos programas, novas modas, novas estratégias, novas visões, novas culturas, novos avanços, novas aquisições e novos salvadores”, escreve Jim Collins.

O pânico e desespero também começam a instalar-se durante o Estágio 4. Ao invés de reagir desesperadamente, tome tempo para respirar, acalmar-se, pensar e focar-se. De outra maneira, você acelerá o próprio declínio.

“No exato momento em que precisamos ter calma, tomar ações planejadas, corremos o risco de fazer o exato oposto e concretizar o cenário que mais tememos”, ele explica.

Nesses momentos muito interessantes, é crítico para equipes veterinárias manterem-se conscientes dos valores e visão principais estabelecidos, simultaneamente estando aberto à mudanças e raciocínio inovador.

De forma a evitar o declínio de Estágio 4, as equipes precisam ter uma compreensão clara de como podem fazer mais do que fazem de melhor. A análise SWOT usada para evitar o Estágio 3 ajudará a identificar áreas para construir, assim como áreas para desenvolver. Fazer mais do que uma clínica faz melhor ajudará a evitar medidas desesperadas, e se ater a uma estratégia, idéia ou fórmula mágica distante. Focar-se no que a equipe faz de melhor produz resultados melhores a longo prazo do que o que é realizado por modas passageiras.

Estágio 5: Rendição à Irrelevância ou Morte
Há dois tipos de empresas no Estágio 5. Primeiro, há aquelas que acreditam que a derrota oferece um resultado geral melhor do que continuar lutando. Segundo, há aquelas que continuam lutando, mas que eventualmente ficam sem opções. Então quando continuar lutando, ou quando devemos dizer um basta?

“Uma vez que uma empresa tenha se movido pelos estágios 1, 2, 3 e 4, aqueles no comando ficam exaustos e desanimados, e eventualmente abandonam a esperança. Uma vez que você faz isso, pode preparar-se para o fim”, descreve Collins.

É Possível Reverter o Declínio?

Jim Collins salienta que todas as empresas passam por altos e baixos. Muitas mostram sinais de Estágio 1 e 2, até Estágio 3 ou 4. A boa notícia é que o caminho não leva inevitavelmente ao Estágio 5. “Apenas por que você cometeu erros e caiu em estágios de declínio, isso não sela o seu destino”, ele escreve. “Desde que você nunca caia direto para o Estágio 5, você pode reconstruir uma grande empresa digna de ser duradoura.”

Então como recuperar-se depois de ter caído em declínio? Collins oferece duas sugestões: não entre em pânico, e não faça investimentos ou decisões descontroladas.

“O caminho para a recuperação se encontra primeiro e principalmente em retornar a práticas de gerenciamento sólidas e raciocínio estratégico rigoroso”, escreve Collins.

Talvez tão importante para a recuperação seja retornar aos valores principais. Esteja disposto a mudar, a evoluir, mas nunca – jamais – desista dos princípios que definem sua clínica. Uma coisa é sofrer derrotas, outra desistir de seus valores, salienta Collins.

“A marca registrada dos verdadeiramente grandes contra os meramente de sucesso não é a falta de dificuldades, mas a habilidade de voltar de contratempos ainda mais forte”, ele explica.

“Grandes empresas podem cair e recuperar-se. E grandes indivíduos também”, ele acrescenta. “Desde que você não saia do jogo, sempre existe esperança.”

Traduzido e adaptado de My Exceptional Veterinary Team.

Fique atento aos sinais de falência que a sua clínica pode exibir. Sucesso!

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