Formei-me em Veterinária, e agora?

Formei-me em veterinaria, e agora?

Antes de tudo: NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Segundo: existe vida além da faculdade.

Somos condicionados a enxergar caminhos diretamente relacionados ao que tivemos mais contato ao longo da nossa formação. Não apenas isso, mas são caminhos apresentados como direções exclusivas: trabalhar com animais de produção ou animais de companhia, clínica ou cirurgia, ser um academico pesquisador e professor ou atuar como profissional liberal. Alguns enxergam ainda o concurso público como alternativa mais radical, “o canto do cisne antes de abandonar a profissão”.

Mas não é papel nem habilidade da faculdade direcionar o aluno para o “melhor” segmento de atuação possível! Isso é uma questão inteiramente pessoal e subjetiva. Algumas pessoas se preocupam apenas com o salário, outras apenas com o fato de gostarem do que fazem, e outras misturam isso em variados graus. Não há regras, mas se você quiser chegar a algum lugar na vida, qualquer que seja, é preciso fixar um norte, que nos leva ao seguinte tópico:

1. O que você quer?

Recomendo antes de qualquer coisa experimentar algumas áreas de atuação, tatear o mercado até você encontrar algo que goste. Já prestei consultoria para colegas que insistiram em investir no mercado pet “por estar em crescimento”, mas não gostavam da área e o serviço e atendimento deixavam isso claro. Trabalhar no que não se gosta, seja por salário, conveniência ou público atendido, não apenas garante que você oferecerá um serviço ruim, mas também desgastará você a ponto de querer abandonar completamente a profissão e preferir vender Jequiti ou Polishop para os vizinhos, tamanho o burnout.

Se você já sabe o que quer, metade do problema está resolvido. Agora, além de aprender a fazer o serviço bem feito, você precisa aprender a vender o próprio serviço, o que na nossa área se faz através de postura profissional, controle de expectativas e segmentação.

2. Postura profissional

Saímos da faculdade na verdade com uma vaga noção de como as coisas funcionam na rotina profissional, mas há um despreparo gritante justamente em relação a parte mais desgastante da profissão: o elemento humano, o convívio com outras pessoas como colegas ou clientes. É interessante encarar esse convívio como um tipo de procedimento a ser treinado e ensaiado em seus momentos mais críticos, não tão diferente de uma colheita de sangue, se possível em um ambiente controlado. Outros profissionais com contato constante ao público treinam o seu atendimento, por que deveria ser diferente com o médico veterinário?

Essa postura profissional está diretamente relacionada ao marketing de serviços, uma divisão do estudo do marketing que trata da apresentação e comportamento do profissional liberal em relação a colegas e clientes. Lamentavelmente a apresentação e venda do serviço veterinário não é estudado com profundidade no ambiente acadêmico, e o conteúdo, quando ministrado, é adaptado de um mix genérico de teorias empresariais.

O marketing de serviços oferece uma base inestimável para valorizarmos nosso “passe”. Somos profissionais liberais, e já há material para aprendermos a vender nosso peixe! Hoje temos muito conteúdo nacional interessante publicado em livros, disponível na internet e em cursos independentes oferecidos pelo Brasil, como os dos professores e médicos veterinários Sergio Lobato, Marco Antonio Gioso e entidades como o SINDAN, entre outros.

3. Controle de expectativas

A medicina veterinária não é uma fábrica de ricos. Infelizmente trabalhamos com baixo valor agregado em nossa rotina, e mesmo os profissionais mais bem-sucedidos ganham pouco comparados a profissões tradicionais (direito, engenharia, medicina humana) com o mesmo tempo de atuação profissional e grau de especialização equivalente.

Existem muitas alegrias em ser médico veterinário, mas se a sua ambição na profissão é especificamente ganhar muito dinheiro, evite trabalhar diretamente como tal para isso. Aqueles dedicados ao acúmulo de capital o fazem de forma empresarial. E se quiser virar um empresário, me procure para uma consultoria ;)

4. Segmentação

Lamentavelmente o mercado brasileiro possui um excedente de profissionais de veterinária sendo formados todo semestre, causado pela explosão de oferta do curso nos últimos 15 anos (só de 2001 a 2011 foi um crescimento de 77%, segundo o CFMV) no território nacional. O DF e arredores tem Faciplac, UNICESPE, UnB, UPIS, no total lançando cerca de 200 profissionais por ano. Acaba sendo fácil se sentir apenas um rosto em um mercado saturado.

Saturado?

Qualquer mercado pode ter nichos explorados, e existem na verdade inúmeros nichos que o mercado veterinário tem carência de profissionais. São mercados dentro de mercados, ou segmentos – diferentes oportunidades a serem trabalhadas.

Se você gosta de animais de companhia, existem diversas possibilidades de pacientes e públicos a serem atendidos,levando em conta:
– Espécie (ex: apenas felinos, cães de colo, aves silvestres)
– Clientes por localização geográfica (ex: clientes do bairro x ou y, zona norte ou zona sul)
– Idade e sexo (ex: mulheres acima de 30 anos, famílias com filhos pequenos)
– Perfil socioeconômico e cultural (ex: clientes com renda acima de x, com segundo grau completo)

Se animais de produção ou área sanitária, existem diversos nichos de grande crescimento onde o veterinário perde espaço para biólogos e nutricionistas simplesmente por não estar presente o suficiente, como:
– Produção de alimentos de origem animal
– Avicultura
– Piscicultura
– Criação de animais silvestres

Existem áreas híbridas, como engenharia aplicada a produção de instrumental médico-veterinário que exigem expertise da área, e que são praticamente inexploradas no Brasil. O médico veterinário brasileiro é extremamente criativo ao improvisar equipamentos, mas peca pela falta de empreendedorismo para sanar carências visíveis de mercado!

E algo que me deixa assombrado, existem nichos que o veterinário desdenha ou sequer considera no começo de sua carreira, como a área comercial de alimentação animal ou fármacos, que oferecem salários interessantes e um enfoque diferente na profissão. Por experiência própria, conheço muitos colegas que abandonaram a rotina clínica ou cirúrgica em busca de maior qualidade de vida na área comercial. E você não deixa de ser um médico veterinário por estar longe da linha de frente!

5. Conclusão

Se você, depois de investir em sua postura profissional, expectativas e segmentação flagrar-se nadando em um rio de enxofre e passando por um calvário eterno, pode existir algo de muito errado em sua opção profissional. Na formatura não fazemos voto de pobreza, ou auto-flagelação, ou de martírio (eu pelo menos não tive isso em minha colação de grau). Repense e recomece! O fracasso é integral ao sucesso e deve ser usado como aprendizado sempre.

Shand Lenim – Palestra para a XVI SAGROVET – Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da FACIPLAC – DF em 13/05/2014

Shand Lenim é empresário, médico veterinário, consultor e palestrante, e dirige o site Animal Marketing

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Palestra: Lucrando Mais Cortando Gastos da Sua Empresa

giosomaio14

Dia 07 de maio às 20h na FMVZ-USP, com o Prof. Dr. Marco Antonio Gioso, “Lucrando mais cortando gastos da sua empresa”, não perca!

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As 3 raças mais agressivas de cães?

Existem raças de cães agressivas e raças onde há um estereótipo construído de agressividade, influenciado pela mídia. Há uma “maquiagem” em relação ao número de acidentes com cada raça, simplesmente porque algumas raças possuem um porte que oferece risco de ferimentos graves muito maior pela mordida do que outras, e que será documentada no caso de agressividade, oficialmente e pela mídia. Algumas raças, por seu porte menor, podem apresentar agressividade muito mais acentuada, mas pouca atenção devido à baixa gravidade dos ferimentos causados, e assim, poucos registros.

DachshundCom base nisso, a Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pennsylvania, nos EUA, desenvolveu pesquisa sobre a agressividade de determinadas raças de cães. Embora seja um artigo de 2008, não deixa de ser interessante para todos aqueles investindo em estética e creches caninas pelo Brasil, por ter chegado ao seguinte ranking no quesito “agressividade séria para com desconhecidos e proprietários”, o que entende-se por mordidas ou tentativas de mordidas:

1. Dachshund/Teckel
2. Chihuahua
3. Jack Russel

Outros rankings incluem:

Raças mais agressiva para com humanos e outros cães:

1. Dachshund/Teckel
2. Chihuahua

O artigo descreve em maior profundidade métodos e outras raças avaliadas agressivas com desconhecidos, outros cães e proprietários. Algumas raças de destaque são Akita, Husky Siberiano e Pit Bull Terrier (especificamente agressivas com outros cães). Fica a nossa curiosidade sobre quais raças mais populares no Brasil demonstrariam maiores níveis de agressividade em um estudo científico sério.

E você, já foi mordido por um Shih Tzu essa semana?

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Estudo Pet Brasil 2013

Da Revista Cães e Gatos

Em setembro a GS&MD – Gouvêa de Souza promoveu o Fórum Pet Brasil 2013, na Capital Paulista e apresentou o inédito Estudo Pet Brasil 2013, que menciona o tamanho do mercado pet por setor, citando o faturamento de 27 categorias de produtos e serviços, cruzadas por tipos de lojas, perfil dos donos de cães e gatos, regiões, além dos hábitos e atitudes de consumo dos donos dos pets. Para a terceira edição, a GS&MD entrevistou 2.730 proprietários de cães e gatos em todo o Brasil. O Estudo e Fórum Pet Brasil 2013 é cogerido pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Nestlé Purina e Total Alimentos.

O estudo na integra pode ser acessado neste link: Estudo Pet Brasil 2013 GSMD Gouvea (PDF).

Retirado do site da Revista Cães e Gatos.

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Feliz 2014

2014Por Shand Lenim

Por dois anos no comando da Animal Marketing, busquei transmitir de forma didática as melhores informações de gestão e marketing disponíveis divulgando posts, palestras e consultorias, tendo como objetivo o progresso e melhoria geral do mercado pet.

Existe uma grande diferença entre transmitir e aplicar o assunto. Por muito tempo me perguntei se um pequeno empreendedor teria realmente como aplicar todos esses princípios, ou se era apenas uma mistura de delírio e devaneio diante dos diversos e intermináveis desafios de administração de pessoal, financeira, publicidade, mix de produtos e treinamento.

Buscando essa perspectiva mais realista, em 2012 deixei de atuar apenas como consultor e palestrante e me tornei também um empreendedor. No início de 2013 foi inaugurado o pet shop Pookie Pet, em Brasília, DF, do qual sou sócio. Diariamente uso como base o material publicado aqui, com grande sucesso mas igual dose de obstáculos. Convido os colegas a visitarem esse empreendimento, anotarem as qualidades mais visíveis e por que não, discutirem possíveis defeitos.

Tornar-se um empresário é uma função em tempo integral, especialmente nas fases iniciais, onde o negócio é seu dono e não o contrário. Portanto peço desculpas pela ausência em 2013 e agradeço a presença constante de leitores nesse site, que não caiu – o que provou que o conteúdo aqui apresentado é útil para muitos nesse mercado.

Aguardem artigos com perspectiva empresarial brasileira no ano de 2014, e muito sucesso para todos nós!