Fadiga por Compaixão

Você já ouviu falar em Fadiga por Compaixão?

Segundo o Compassion Fatigue Awareness Program, prestadores de serviço de saúde, principalmente aqueles em contato direto com pessoas ou animais frágeis e fracos, e em contato com o descaso da sociedade em relação a estes, estão muito mais propensos em sua rotina a desafios emocionais que levarão ao estresse crônico, burnout e até mesmo negligência com futuros pacientes.

O tipo de pessoa atraída pela medicina veterinária é tipicamente altruísta, no sentido de ver o sofrimento de animais e gastar o máximo de sua energia para curar os enfermos e ajudar aqueles em sofrimento. Isso torna médicos veterinários especialmente propensos a esse tipo de fadiga.

Se nossa energia se esgota, não dedicamos tempo para recarregá-la gradualmente, como sustentar o papel de provedor de saúde?

Por isso, é preciso em alguns momentos “dar um tempo” e cuidar de nós mesmos para recarregar as baterias. O bom ambiente de trabalho também deve reconhecer essa necessidade, e encorajar funcionários a participarem de atividades que promovam e preservem a saúde. Isso gera um ciclo de pessoas mais saudáveis, e portanto uma clínica mais saudável.

Patricia Smith, fundadora do Projeto de Consciência da Fadiga por Compaixão, delimitou Oito Leis de Um Local de Trabalho Saudável, e reconhece que há passos que uma empresa pode dar para ajudar a estimular esse ambiente de trabalho saudável. São elas:
1. O empregador oferecer uma folga para a equipe após algum evento traumático.
2. O empregador oferecer educação continuada para a equipe.
3. O empregador oferecer benefícios aceitáveis para auxiliar a equipe a praticar autocuidado benéfico.
4. O empregador oferecer a gerentes e equipe ferramentas e recursos para completar tarefas.
5. O empregador direcionar a gerência para monitorar cargas de trabalho.
6. O empregador oferecer atividades positivas e edificantes para a equipe, promovendo relações sociais sólidas entre colegas.
7. O empregador encorajar políticas de “portas abertas” para promover boa comunicação entre funcionários.
8. O empregador possuir processos para o pesar e luto preparados quando eventos traumáticos ocorrerem no local.

A importância da fadiga por compaixão na clínica de pequenos animais é a seguinte: como oferecer saúde, se não tivermos saúde? Uma equipe esgotada e estressada terá um cuidado inadequado com pacientes e clientes e enfrentará sérias dificuldades com a rotatividade de funcionários. Em última análise, toda a cadeia de serviço ficará prejudicada, gerando boca-a-boca negativo e evasão de clientes que poderiam ser fidelizados.

Para conhecer mais sobre a Fadiga por Compaixão na Medicina Veterinária, há mais informações neste documento em português da Animal Welfare Online.

Sucesso!

Shand Lenim é médico veterinário, CRMV DF 2715, e diretor do blog Animal Marketing.